Se você trabalha todos os dias nas ruas, enfrentando trânsito intenso, chuva, risco de acidentes e ainda precisa lidar com pressa de clientes e pressão por entrega rápida, saiba que a lei reconhece o risco da sua atividade. Sim, motoboy tem direito ao adicional de periculosidade, e muitas empresas ainda se negam a pagar, mesmo sendo obrigatório.
Se você atua como motoboy registrado (CLT) e quer entender se está recebendo corretamente ou se está deixando dinheiro para trás, este conteúdo vai esclarecer todas as suas dúvidas. Acompanhe!
O que é o adicional de periculosidade
Esse é um direito dos profissionais que possuem atividades laborais que colocam em risco sua saúde e/ou integridade física diariamente. Como é o caso de eletricistas, policiais, metalúrgicos, bombeiros, químicos, motociclistas, vigilantes e frentistas.
Diferentemente do adicional de insalubridade, em que o funcionário coloca em risco sua saúde através do contato direto com agentes nocivos, o adicional de periculosidade é quando o funcionário exerce uma função de alto risco.
Quem tem direito ao adicional de periculosidade?
O adicional de periculosidade é garantido aos trabalhadores que exercem atividades com risco constante à vida ou à integridade física. No caso dos motoboys, o Ministério do Trabalho incluiu a atividade com uso de motocicleta como perigosa. Isso significa que quem utiliza moto como parte essencial da função tem direito ao adicional.
Portanto, tem direito:
- Motoboys com carteira assinada (CLT);
- Entregadores em empresas de delivery, logística ou transporte;
- Profissionais que usam moto para deslocamento contínuo durante o expediente.
Exceções
Nem todo uso de motocicleta garante o direito ao adicional. Veja os casos em que o adicional não é aplicado:
- Quem usa a moto apenas para ir e voltar do trabalho (deslocamento casa–empresa);
- Profissionais que eventualmente usam a moto, mas não de forma constante durante o expediente;
- Motoboys autônomos ou MEIs, que não têm vínculo empregatício formal (CLT).
Mesmo nesses casos, vale analisar a situação com um advogado, pois há decisões judiciais que reconhecem direitos mesmo fora da regra geral, dependendo das provas e da habitualidade da atividade.
Entenda o cálculo do adicional de periculosidade
O adicional de periculosidade corresponde a 30% sobre o salário base do trabalhador. Isso significa que não se inclui nesse cálculo benefícios como horas extras, comissões, adicionais noturnos ou gratificações.
O pagamento deve ser feito todo mês, enquanto durar o exercício da atividade com uso de motocicleta.
Exemplo prático:
- Salário base: R$ 2.000
- 30% de periculosidade: R$ 600
- Salário total com adicional: R$ 2.600
Esse valor entra na folha de pagamento mensal de forma destacada no contracheque, com a descrição “adicional de periculosidade”.
Como solicitar o adicional de periculosidade?
Se você tem carteira assinada e a empresa não paga o adicional de 30%, o caminho é:
Converse com a empresa
Peça explicações formais e, se possível, registre essa conversa por e-mail ou mensagens. Em muitos casos, o pagamento é regularizado sem conflito.
Reúna provas
- Contrato de trabalho;
- Holerites (demonstrando ausência do adicional);
- Relatos de rotina (uso contínuo da moto);
- Testemunhas, se necessário.
Busque um advogado trabalhista
Um especialista pode avaliar a situação e entrar com uma ação para:
- Solicitar o pagamento imediato do adicional
- Cobrar retroativamente os valores não pagos (até os últimos 5 anos)
- Garantir correções, juros e reflexos em férias, 13º e FGTS
É possível acumular periculosidade e insalubridade?
Não. A CLT não permite o pagamento simultâneo dos dois adicionais.
Se você tem direito à insalubridade (exposição a agentes químicos, biológicos ou ruído, por exemplo) e à periculosidade, deverá optar pelo mais vantajoso.
Para motoboys, na maioria das vezes, a periculosidade (30% do salário base) é mais vantajosa do que a insalubridade (que varia entre 10% e 40% do salário mínimo).
O motoboy autônomo recebe periculosidade?
Em regra, não. O adicional de periculosidade é um direito do trabalhador com vínculo empregatício formal (CLT).
Motoboys autônomos, como MEIs ou prestadores de serviço por aplicativo (como iFood, Rappi, etc.), não recebem esse adicional de forma automática.
Porém, se houver relação de subordinação, habitualidade e exclusividade, é possível pedir o reconhecimento de vínculo na Justiça e, assim, ter acesso aos mesmos direitos dos celetistas.
Já houve decisões que reconheceram vínculo entre aplicativos e entregadores, com direito a adicional de periculosidade.
O adicional pode ser pago de forma parcelada ou incluído no salário?
Não. O adicional de periculosidade deve aparecer de forma destacada no holerite e não pode ser incluído “por dentro” do salário nem pago de forma parcelada.
A empresa que tenta mascarar esse pagamento, incluindo no salário total, está cometendo fraude trabalhista.
Existe retroativo no pagamento do adicional?
Sim. O motoboy pode cobrar judicialmente o adicional dos últimos 5 anos, com:
- Correção monetária;
- Juros legais;
- Reflexos em férias, 13º salário, FGTS e aviso prévio.
Mesmo que você tenha saído da empresa, ainda pode entrar com a ação, mas atenção: o prazo para ingressar é de até 2 anos após o término do contrato.
O papel do advogado para garantir que os direitos sejam resguardados
Empresas nem sempre informam os motoboys sobre seus direitos, e muitos trabalhadores passam anos sem saber que poderiam receber a mais.
O advogado trabalhista é essencial para:
- Analisar seu caso individualmente;
- Reunir e apresentar as provas certas no processo;
- Calcular corretamente os valores devidos;
- Ingressar com ação judicial, com segurança e estratégia;
- Garantir que todos os reflexos legais sejam cobrados.
Com apoio jurídico, você tem muito mais chance de recuperar o que é seu por direito e evitar perdas financeiras silenciosas.
Se você trabalha como motoboy, com uso constante de motocicleta para entregas ou deslocamentos durante o trabalho, tem direito ao adicional de periculosidade de 30% sobre o salário base.
Se esse valor nunca apareceu no seu holerite, ou foi mascarado no salário total, você pode estar deixando dinheiro para trás todos os meses, e ainda pode cobrar retroativamente.
Fale com nossos advogados! Com mais de 16 anos de experiência, atuamos com celeridade, segurança e agilidade para garantir os direitos dos motoboys e demais trabalhadores da categoria. Converse agora com um advogado trabalhista especializado.


Os comentários estão encerrado.